sábado, 21 de janeiro de 2017

Sobre escolhas...

Acho que quase sempre tive certa dificuldade em aceitar o que o senso comum defende: na vida temos que trabalhar muito e é o normal trabalharmos no que não gostamos, afinal, precisamos comer, pagar contas, comprar coisas e, no final de semana (só o domingo para a maioria das pessoas), caso não estejamos cansados ao extremo, poderemos descansar (ou não), nos divertir (ou não) e viver (ou não). A vida é assim... (Aff!) E quanto mais o tempo vai passando, menos consigo digerir esse tipo de pensamento... Como assim trabalhar a vida inteira em algo que não gostamos ou que suportamos? Como assim precisamos fazer faculdade, mestrado, doutorado e ter o sonho profissional de passar em um concurso público? Veja bem, não estou dizendo que isso não pode ser o sonho de alguém. Claro que pode! Apenas quero reafirmar o que tenho dito nos últimos anos: respeite as escolhas e sonhos dos outros. O que é sinônimo de felicidade para mim, não necessariamente será para o outro. Simples assim. E se meu sonho for trabalhar no comércio? E se o meu sonho é ter pós-doutorado no exterior e dar aula em uma universidade? E se o meu sonho é fazer artesanato e viver com o que ganho no dia? E se eu sonhar em ser mãe? E se nem passar pela minha cabeça a hipótese de gerar uma vida? Posso querer adotar somente, não posso? Também posso não querer. Posso querer ter somente 1 par de calçados e três mudas de roupas? Posso! Posso repetir a mesma roupa umas 3x por semana? Posso! Posso querer ter 20 pares de calçados e trocar as peças do meu guarda-roupa a cada nova estação ou coleção ditada pela moda? Posso! Posso largar tudo e viver viajando pelo mundo? Sendo voluntária, trabalhando no que der pra continuar minha viagem ou com meus pais me patrocinando? Posso! Posso querer viver de ser bonita, cultuando o corpo, seguindo o que a mídia dita (lembrando que todos somos influenciados pela mídia, em menor ou maior escala... Aceita!)? Posso! Posso querer ter uma banda, ser músico, produtor, ator, artista plástico, mesmo sabendo o quão difícil é ser reconhecido por isso e, mais ainda, viver da minha arte? Posso! E posso ser engenheiro, médico, terapeuta, manicure, etc, etc e etc? Posso! Desde que eu esteja sendo honesta comigo mesma (principalmente!) e esteja respeitando as pessoas ao meu redor, qual-o-pro-ble-ma??? Obviamente não sou tão radical assim, compreendo que pais se preocupam conosco, nosso futuro, e outras pessoas que nos amam e querem o nosso bem, também! Porém, saibamos reconhecer as habilidades e sonhos genuínos daqueles que amamos. Quem sabe se, ao invés de impor que nossos filhos escolham uma profissão por status, poder, dinheiro, nós não trabalhamos a nossa sensibilidade em olhar mais no fundo dos olhos deles para percebermos o que faz o coração dele pulsar e não escolhemos os apoiar?
Claro que, mesmo seguindo os nossos sonhos, sejam profissionais ou pessoais, nem sempre a jornada será fácil... No entanto, a vida de cada um tem que ser vivida pelo próprio sujeito... Não podemos andar com as pernas dos nossos pais, amigos, familiares, amores... E vice-versa! Enfim, nem era minha intenção me alongar tanto, mas só dizer que tentemos julgar menos os outros e até a nós mesmos. E tudo isso que eu escrevo serve para mim também, pois não é fácil não julgar, não dar palpite na vida dos outros levando em consideração a nossa própria vida, não é mesmo?

Finalizo fazendo um "pedido" seguido de uma pergunta que já fiz em outros textos meus e que, regularmente, faço a mim mesma: Respeite TUAS próprias escolhas...Elas realmente têm sido tuas?

P.S.: confesso que estou tentando descobrir quais são as minhas. Ainda que, com um canudo na mão e dois empregos, estou longe de estar vivendo como quero... Isso não apaga a gratidão por ter o que tenho e, todos os dias, estar aprendendo. Porém, permaneço com minhas buscas...

Mitcheia Guma.      

Um comentário:

BANDA OSIRYS disse...

Fantástico o texto, parabéns!!